Dia Nacional de Protesto — quinta-feira, 30 de julho. Participe.
Mobilização nacional
FENATTEL convoca protesto nacional em defesa dos trabalhadores da Oi e da Serede
Sindicatos de todo o país vão às ruas nesta quinta-feira, 30 de julho, para denunciar o abandono dos trabalhadores e cobrar uma solução definitiva para a crise que atinge o setor de telecomunicações.
Comunicação SINTTEL-GO29 de julho de 2026
O que acontece nesta quinta
DataQuinta-feira, 30 de julhoDia Nacional de Protesto
OndeEm todo o paísAtos em frente às unidades da Oi que ainda têm trabalhadores em atividade presencial
Também haveráReunião nacionalLink de participação divulgado na própria quinta-feira
Quem convocaFENATTELEm conjunto com os sindicatos filiados, entre eles o SINTTEL-GO
A FENATTEL e os sindicatos filiados realizam nesta quinta-feira, 30 de julho, um Dia Nacional de Protesto em Defesa dos Trabalhadores da Oi e da Serede. A mobilização acontece em todo o país para denunciar o abandono enfrentado pela categoria e cobrar uma solução definitiva para a grave crise que atinge o setor de telecomunicações.
Desde dezembro de 2025, cerca de 5 mil trabalhadores desligados da Serede ainda aguardam o pagamento de direitos trabalhistas básicos. A demora tem causado insegurança e dificuldades para milhares de famílias que seguem sem uma resposta concreta.
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Osmar Sousa convoca a categoria
O chamado à participação no Dia Nacional de Protesto desta quinta-feira, 30 de julho.
Ative o som para ouvir.
A pressão sobre o Governo Federal
Diante desse cenário, as federações nacionais dos trabalhadores intensificaram a atuação conjunta e encaminharam solicitações aos principais órgãos do Governo Federal, cobrando medidas urgentes para garantir os direitos dos trabalhadores e encontrar uma saída para a crise:
Secretaria-Geral da Presidência da República
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
Advocacia-Geral da União (AGU)
Anatel
Ministério das Comunicações
Como será a jornada de luta
Sindicatos de diversas regiões do país realizarão atos em frente às unidades da Oi que ainda mantêm trabalhadores em atividade presencial. Faixas serão afixadas e a população será informada sobre a situação vivida por empregados e ex-empregados da empresa, reforçando a necessidade de responsabilidade social e respeito aos direitos trabalhistas.
Também será realizada uma reunião nacional, reunindo dirigentes sindicais e trabalhadores para discutir os próximos passos da mobilização. O link de participação será divulgado na própria quinta-feira.
A FENATTEL reforça o chamado para que todos os trabalhadores participem da jornada de luta. A mobilização é fundamental para ampliar a pressão sobre as autoridades e garantir que os direitos dos trabalhadores da Oi, Serede e Tahto sejam respeitados.
Chega de descaso. Chega de abandono.Os trabalhadores exigem respeito e justiça.
Trabalhador de Goiás: o SINTTEL-GO está com você
A crise não é distante. A Tahto — razão social Brasil Telecom Call Center S.A. — tem matriz em Goiânia e segue em recuperação judicial. Em fevereiro deste ano, trabalhadores da empresa em Goiás e em mais cinco estados aprovaram em assembleia que a FENATTEL os represente na Assembleia de Credores, com procuração específica para tratar do FGTS não pago.
Se você é trabalhador ou ex-trabalhador da Oi, da Serede ou da Tahto em Goiás, procure o sindicato. E guarde a documentação — é ela que sustenta a habilitação do seu crédito:
Holerites e comprovantes de pagamento
Extrato do FGTS e comprovantes de recolhimento
Controles de ponto e registros de horas extras
Termo de rescisão e carta de comunicação, se houver
Carteira de trabalho (física ou digital)
Atendimento pelo telefone (62) 3227-7900 ou pelo e-mail atendimento@sinttelgo.org.br.
A empresa que hoje pede à Justiça autorização para demitir sem pagar rescisões nasceu, em 1998, comprada com dinheiro público por um grupo que não era do setor de telecomunicações.
A privatização (1998)
O Ministério das Comunicações dividiu o Sistema Telebrás em doze companhias. A maior era a Tele Norte Leste Participações (TNL), criada como holding em maio de 1998 e arrematada em julho, no leilão da Bolsa do Rio, pelo consórcio Telemar por R$ 3,4 bilhões. O grupo reunia a construtora Andrade Gutierrez, a Inepar, a Macal, fundos de pensão e seguradoras.
Dois pontos explicam muito do que veio depois. O primeiro: o dinheiro da compra não era dos compradores — o valor foi financiado integralmente pelo BNDES e por fundos de pensão, que se tornaram sócios e credores da mesma empresa. O segundo: apesar de ser a maior holding do pacote, a TNL registrou o menor ágio de toda a privatização.
O episódio ficou marcado pelo grampo em que o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, chamou o grupo vencedor de "telegangue". A gravação vazou e ele deixou o cargo.
De Telemar a Oi
Em abril de 1999, a companhia adotou o nome comercial Telemar. A marca Oi só apareceu em 2002, criada pela agência Wolff Olins para a telefonia móvel. O Velox, banda larga ADSL, é de 2001. Foi apenas em 2007 que todos os serviços passaram a operar sob a marca Oi, com abertura de capital no Novo Mercado.
A expansão que virou dívida
A empresa acumulou aquisições ao longo de duas décadas — e dívida na mesma proporção.
Em 2009, a Oi comprou a Brasil Telecom por R$ 5,8 bilhões — acima do mercado, e com passivos bilionários embutidos. Em 2013, anunciou a fusão com a Portugal Telecom sob a holding CorpCo. Foi o golpe decisivo: os R$ 3,2 bilhões previstos nunca entraram no caixa, porque estavam aplicados em papéis de uma subsidiária do Banco Espírito Santo, que quebrou logo depois. Os ativos portugueses foram vendidos à Altice em 2015 e a fusão nunca se completou.
Em junho de 2016 veio a primeira recuperação judicial, a maior da história do Brasil até então, encerrada em dezembro de 2022 após tratar R$ 65 bilhões em dívidas de 65 mil credores. Poucos meses depois, em 2023, a Oi entrou na segunda recuperação judicial — caso inédito no país.
As empresas que a Oi criou — e que quebraram primeiro
Boa parte do trabalho que sustentava a operação foi transferida, ao longo dos anos, para subsidiárias com CNPJ próprio. Quando o caixa apertou, foram elas as primeiras a cair.
Saguão da Tahto, em Goiânia. O call center do Grupo Oi tem matriz na capital — a crise nacional chega a Goiás por essa porta.
Brasil Telecom Call Center: a empresa que veio de Goiânia
A Brasil Telecom Call Center S.A. (BTCC) foi fundada em 11 de agosto de 2000, com sede na Rodovia BR-153, no Vila Redenção, em Goiânia — endereço da matriz até hoje. Era o braço de teleatendimento da Brasil Telecom, operadora nascida da privatização da Tele Centro Sul, que atendia Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Acre e Rondônia. Quando a Oi comprou a Brasil Telecom, em 2009, a BTCC veio no pacote.
Em 15 de março de 2021, a Oi rebatizou a BTCC como Tahto, apresentando a mudança como reposicionamento para vender soluções digitais de relacionamento ao mercado corporativo. Na época, a empresa tinha 13 mil colaboradores e 5 mil posições de atendimento em Goiânia, Curitiba, Campo Grande e Rio de Janeiro. A razão social, porém, nunca mudou: nos registros oficiais, a Tahto continua sendo Brasil Telecom Call Center S.A. — hoje, com a expressão "em Recuperação Judicial" no nome.
Serede: da manutenção da rede à falência
Trabalhadores de campo reunidos em assembleia. A Serede chegou a envolver cerca de 27 mil pessoas em 18 estados.
A Serede — Serviços de Rede cuidava da operação técnica em campo: cabos, instalação e manutenção de equipamentos. Em 2020, atuando também como RedeConecta, estava em 18 estados e 3.300 municípios. A queda começou com a perda de contratos — sobretudo a rescisão com a V.tal, dona da rede que antes era da Oi. Chegou ao fim operando com apenas dois contratos: o NOC e a retirada de cobre.
Em 3 de julho de 2025, a Oi pediu recuperação judicial das duas subsidiárias — Serede e Tahto. Em 19 de dezembro de 2025, a juíza Simone Gastesi Chevrand decretou a falência da Serede, registrando patrimônio líquido negativo desde junho daquele ano. Dos 4.759 empregados, cerca de 1.741 já estavam ociosos por falta de contratos e insumos. O próprio Grupo Oi devia à subsidiária cerca de R$ 300 milhões.
Três dias depois, em 22 de dezembro, às vésperas do Natal, a Massa Falida comunicou a rescisão de todos os contratos de trabalho e exigiu a devolução imediata de ferramentas e veículos. Os trabalhadores foram orientados a habilitar seus créditos — salários, férias, horas extras, verbas rescisórias e FGTS não recolhido — na justiça falimentar, como créditos concursais.
Orientar os trabalhadores a habilitarem seus créditos na justiça falimentar equivale a empurrá-los para o fim de uma fila infinita — enquanto a tomadora de serviços, a Oi S.A., assiste ao colapso sem assumir sua responsabilidade subsidiária imediata.
Posição conjunta da FENATTEL, FITRATELP e FITTLIVRE, em dezembro de 2025
Onde a crise está agora
Entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, as entradas da Oi somaram R$ 2,3 bilhões e os pagamentos, R$ 4,3 bilhões — geração operacional negativa de R$ 2 bilhões em doze meses. O caixa contábil caiu de R$ 1,4 bilhão para R$ 453 milhões, e quase todo esse saldo estava travado como caixa restrito.
Em julho de 2026, a gestão judicial informou que o caixa disponível era de R$ 19,6 milhões e que o dinheiro acabaria em 10 de agosto. No mesmo documento, pediu autorização para demitir com as verbas rescisórias adiadas para quando houver algum "evento de liquidez" — a venda da UPI V.tal, da UPI Oi Soluções ou equivalente —, além da liberação imediata de R$ 27,4 milhões retidos em contas judiciais.
Em 28 de julho, a juíza indeferiu o pedido para vender imediatamente os últimos ativos, exigindo manifestação prévia do Ministério Público, e determinou que as receitas de contratos de serviços públicos essenciais fiquem "carimbadas" para pagar os fornecedores desses contratos.
O detalhe que explica a fila parada
O plano de recuperação judicial da Oi hoje em vigor não prevê pagamento prioritário de créditos trabalhistas. Quando o plano foi formatado, a premissa era que a empresa continuaria existindo e que eventuais desligamentos ocorreriam dentro do fluxo normal. Essa premissa caiu. Com a administração judicial trabalhando na prática para liquidar a companhia, e um passivo na casa dos R$ 30 bilhões, sobra uma fila enorme de credores — e os trabalhadores não estão entre os prioritários.
Há ainda um ponto jurídico central: precedentes do STF e do TST estabelecem que demissões em massa exigem negociação prévia com o sindicato. Sem essa etapa, os desligamentos podem ser considerados nulos.
Linha do tempo
Da privatização do Sistema Telebrás, em 1998, ao pedido de demissões sem rescisão, em 2026.
1998
Privatização do Sistema Telebrás. A Tele Norte Leste é arrematada pelo consórcio Telemar por R$ 3,4 bilhões, com financiamento do BNDES e de fundos de pensão.
1999
A empresa adota o nome comercial Telemar.
Ago/2000
É fundada em Goiânia a Brasil Telecom Call Center (BTCC), braço de teleatendimento da operadora do Centro-Oeste e Sul.
2001–2002
Chega o Velox e é criada a Contax, call center da Telemar. Em 2002, nasce a marca Oi, só para a telefonia móvel.
2007
Reestruturação unifica todos os serviços sob a marca Oi, com abertura de capital no Novo Mercado.
2009
Compra da Brasil Telecom por R$ 5,8 bilhões. A Oi passa a atuar em todo o país, herda passivos bilionários e incorpora a BTCC, de Goiânia.
2013
Anúncio da fusão com a Portugal Telecom. Os R$ 3,2 bilhões previstos nunca entram no caixa: estavam em papéis do Banco Espírito Santo, que quebra em seguida.
2016
Primeira recuperação judicial — a maior da história do Brasil até então.
2022–2023
A primeira RJ é encerrada em dezembro de 2022. Poucos meses depois, em 2023, começa a segunda recuperação judicial. Caso inédito no país.
Mar/2021
A BTCC é rebatizada como Tahto: 13 mil colaboradores e 5 mil posições de atendimento em Goiânia, Curitiba, Campo Grande e Rio.
Jul/2025
A Oi pede recuperação judicial da Serede e da Tahto, suas duas subsidiárias integrais.
Dez/2025
Falência da Serede decretada no dia 19. No dia 22, véspera de Natal, a Massa Falida rescinde os contratos de 4.759 trabalhadores. A RJ da Tahto é mantida.
Fev/2026
Trabalhadores da Tahto em Goiás e mais cinco estados aprovam em assembleia que a FENATTEL os represente na Assembleia de Credores.
Jul/2026
Com R$ 19,6 milhões em caixa, a gestão judicial pede autorização para demitir sem pagar rescisões. As federações convocam o Dia Nacional de Protesto para o dia 30.
Fontes consultadas
Comunicado oficial da FENATTEL sobre o Dia Nacional de Protesto (julho de 2026)